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Um Profeta

May 21, 2010

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Um drama prisional elaboradamente delineado numa França contemporânea onde novas leis do governo Sarkozy acerca da repatriação de prisioneiros tem impacto direto no rumo das personagens. O protagonista, Malik El Djebena, órfão francês de origem árabe condenado a seis anos de prisão, o motivo pelo qual entrou é irrelevante, “Un Prophète”(2009) irá revelar os fatores definitivos num processo de auto-descoberta e a jornada que lhe moldou uma (nova) identidade.

Malik, com de dezenove anos, é imediatamente acuado por uma dinâmica interna de subornos e tráfico da qual logo descobre que não há modo de sobreviver indiferente. Em troca de proteção, diga-se fugir da sentença de execução por parte da facção de prisioneiros oriundos de Córsega ( ilha do Mediterrâneo, dialeto italiano porém é administrada pela França), ele precisa executar outro preso do Bloco B, facção dos árabes. Numa cena incômodamente tensa ele treina como esconder uma gilete na lateral da boca. Reyeb posteriormente torna-se uma presença fantasma para seu jovemexecutor.

Sob um tom discreto anedótico, o protagonista é incorporado ao grupo dos corsos e assume tarefas cada vez mais importantes no (sub)mundo do crime, o ancião mafioso administra cada passo de Malik e agiliza seu direito de condicional, somente com a intenção de que ele lhe sirva também em trabalhos fora da cadeia, a esta altura, Malik deixou de ser semianalfabeto freqüentando aulas de francês e economia no presídio e dedicou-se a estudar por si só o italiano.

Outros personagens, um prisioneiro árabe com câncer terminal e um cigano traficante de haxixe, iram possibilitar a expansão da rede de contatos e contratos de Malik, que acaba num golpe magistral coloca inimigos frente a frente para acertarem suas contas enquanto arquiteta uma manobra para permanecer isolado (e ileso), me perdoem os aficionados por Scarface(1983) mas Tony Montana não é páreo para Malik.

As questões político-sociais e raciais são pilares que sustentam a trama, assim como uma análise acerca da (in)eficiência da instituição prisional não são a proposta final, mas fundamentam o desenrolar habilmente encorpado com toques modernistas em pontuados letreiros e um sofisticado surrealismo por parte de pequenas sequências oníricas acertadas pelo diretor parisiense Jacques Audiard [(De Tanto Bater Meu Coração Parou(2005)], que criou uma das fitas mais interessantes (e viciantes) do gênero. Grand Prix em Cannes, Bafta, 9 prêmios no Cèsar Awards, melhor filme e prêmio do Festival de Londres, indicações a Palma D’or, Globo de Ouro e Oscar, “Um Profeta” é um ícone do cinema contemporâneo.

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Coco Chanel & Igor Stravinsky

May 21, 2010

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O romance de Coco Chanel, com o comerciante comerciante inglês Arthur “Boy” Capel, encontra trágico fim com a morte de Boy, aquele que a levou á Paris e investiu em sua primeira grife de chapéus, num acidente de carro. Essa passagem biográfica encerra o didático “Coco Before Chanel”(2009) com Audrey Tautou, de luto, desfilando sua primeira coleção e dá partida a produção art nouveaulesca de “Coco Chanel & Igor Stravinsky”(2009).

Era 1913, o compositor russo Igor Stravinsky estreou em pleno Théâtre des Champs Elysées  seu revolucionário e polêmico espetáculo. A rejeição foi generalizada, porém uma igualmente vanguardista espectadora sentiu verve como a modernidade do balé apresentado. Sete anos mais tarde foram apresentados.

A atração foi instantânea e elétrica. Influente, Chanel decide patrocinar a produção do novo balé e hospeda Stravinsky em sua residência em Garches, juntamente com sua esposa e filhos, para que ele tivesse um ambiente que o ajudasse a compor. As visitas de Coco eram constantes e os dois iniciaram um romance majoritariamente sexual.

Coco Depois de Chanel evoca os valores franceses: a elegância, a liberdade e a insolência, que, apesar de imperativa e imperialista, Anna Mouglalis veste de forma branda. Mads Mikkelsen prende-se a austeridade do compositor russo. A forte personalidade de dois ícones artísticos do século, é decorada por interiores art-deco estilizados, sons e imagens entregues pelo título e pouco diálogo, traduzindo um dúbio vazio em questionarmos este o encontro como um capricho temporário.

O affaire é ilustrado quase avulsamente á carreira da impiedosa dona da Maison Chanel e a confecção do icônico perfume Chanel nº 5, exceto pela fútil arrogância da personagem em presentear a enferma esposa de seu amante com um frasco do perfume, fato que culminou com a saída de Catherine Stravinsky e os filhos da residência Chanel. Construção e condução que ganham ares redentores juntamente com a própria Madeimoselle, aos 88 anos, rica e solitária em sua suíte no Ritz, em seu derradeiro suspiro.

8 Vezes de Pé

May 21, 2010

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 O título “8 fois debout”(2009) faz referência ao provérbio 7 vezes na terra, 8 vezes de pé, que juntamente com o dúbio aquele que atinge o alvo, erra todo o resto, compõe um dos inocentes e evasivos diálogos dos desacreditados protagonistas.  

Elsa é acordada pelo senhorio que traz consigo interessados em alugar seu apartamento do qual está prestes a ser despejada, situação semelhante a de seu vizinho Mathieu. Em seu primeiro encontro discutem os hobbies que escolheram para incrementar seus desastrosos currículos profissionais na tentativa de torná-los mais atraentes, como tiro, caminhada e kabuki.

 Xabi Molia, em seu primeiro longa, constrói uma tímida amizade entre esses dois personagens economicamente marginais e, em sua primeira metade, acompanha com certa ironia e humor a gravidade da situação e brinca com a limitação de suas perspectivas.

 As sequências de ambos em entrevistas de emprego são igualmente permeadas por esse humor delicado, Elsa balbucia no lugar de responder a as indagações do entrevistador quanto a sua desistência do curso de enfermagem e história da arte, no oposto, Mathieu discorre continuamente ao ser questionado sobre o período de inatividade profissional em seu currículo, hiato que justifica com filosofia e dúvidas acerca da real necessidade do indivíduo de estar empregado.

 Em sua última sessão de acompanhamento psicológico, verificamos uma justificativa quasipatológica em seu comportamento inconseqüente e inconsistente, como abandonar repentinamente os bicos de faxineira e babá e seu horário quinzenal com o filho. O longa então, apesar dos coloridos e musicais créditos iniciais ganha ares pesados de desesperança no lugar de um estudo psicológico e social bem humorado.

 A segunda metade arrasta-se inócua e descreditada como a rotina de Elsa e Mathieu vivendo em um parque municipal e o fim de semana em que busca o filho para um fim de semana em que dormem no carro, essa ilegitimidade e o desvio para a subtrama parental de Elsa pode minar o conjunto da obra, porém o talento de Molia no cuidado de seus personagens, seu tratamento delicado e original é apreciável e digno de aposta para uma segunda realização. É aguardar.

Faça-me Feliz

May 21, 2010

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O Dia da Saia

May 21, 2010

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Hadewijch

May 21, 2010

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O Pequeno Nicolau

May 21, 2010

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